A Trajetória de Eliane Durante

Queridos amigos e seguidores, um dia ouvi alguém dizer: “Estamos aqui para fazer história e não para contar história”. Achei aquilo o máximo.

A Eliane e a KAVIDA estão aqui em Floripa para fazer história e ajudar as pessoas a construírem suas histórias. Mesmo assim, vejo muitos pontos de interrogações nos olhos das pessoas quando me perguntam: “De onde você veio? Mas você está voltando para o Brasil justamente no momento em que todo Brasileiro sonha em morar fora? E você trocou uma carreira executiva internacional para empreender no seu negócio do ZERO?”.  Na verdade, vejo muito mais interrogações nos olhos das pessoas que não estão, de fato, me fazendo perguntas.

Vamos lá. A Eliane começou a trabalhar com 9 anos de idade, por necessidade. Posso dizer que trabalhar na roça dos 9 aos 19 anos foi a maior e melhor formação acadêmica que tive. Ali aprendi a ter disciplina, já que o dia é mais produtivo quando acordamos cedo, apesar de acharem crueldade acordar uma criança às 5 da manhã para fazer trabalho braçal pesado. Aprendi a respeitar meus chefes (no caso, meus pais). Aprendi que saco vazio não para em pé, pois para carregar sacos de soja de 60kg nas costas, é preciso de força. Aprendi a administrar uma empresa, pois engana-se quem pensa que na agricultura não é preciso gestão. Aprendi a discernir o que é meu e o que é dos outros, pois não desfrutamos do que não é nosso. Minha mãe sempre dizia algo que levo comigo até hoje: “para se ter o bastante, é necessário guardar o pouco”.

Com 20 anos, já casada (já que, naquela época, “filha minha só sai de casa casada”), ingresso na faculdade e inicio minha carreira profissional. Todos aqueles anos sofridos na roça serviram para a minha formação, mas também para aproveitar todas as oportunidades que viessem pela frente. Uma coisa eu tinha certeza: não queria mais trabalhar no campo.

A partir daí, fiz faculdade (com bolsa, obviamente), MBA e cursos, sempre buscando uma oportunidade ideal de trabalho. Tive algumas experiências, até que uma empresa multinacional se instalou no Brasil, com um plano agressivo de expansão na América do Sul e com muita dificuldade de crescimento devido à cultura europeia. Pensei: é aqui que eu quero trabalhar! Alguns questionamentos surgiram: “Mas Eliane, esta empresa nem tem escritório na sua cidade!” – Não tem problema, se eu atendo clientes, pra quê escritório? Eu vou até eles! “Mas Eliane, esta empresa nem figura entre as 15 maiores empresas no ranking Brasileiro”. Aqui vi a oportunidade de crescer. Se dependesse de mim, na minha região ela seria a primeira do ranking.

Eu ainda não tinha claro onde poderia chegar, mas sabia que queria trabalhar e estudar muito para me manter empregada.

Por isso, eu trabalhava e estudava além da média, e me destaquei pelos resultados que entregava. Assim, a empresa foi crescendo, a Eliane foi crescendo e a troca sempre foi muito justa. A Eliane entregava e a empresa reconhecia. Assumi posições estratégicas de alta responsabilidade que nunca imaginei alcançar, e me sentia merecedora.

Abrir mercados, construir rede de distribuidores, formar equipes, cuidar de gente, dar oportunidades para jovens que, assim como eu, tinham muito potencial, entregar resultados acima do esperado, enfim: fazer e construir a empresa. Foram 13 anos de muito aprendizado, de muito empreender, de muitos erros, mas também de muitos acertos. De muito choro, de muita doação, de muita entrega e de resultados incríveis para a empresa e para a Eliane.

Mesmo sendo um mercado predominantemente masculino, nunca me senti excluída, assediada, ignorada. Pelo contrário: sentia-me privilegiada por ser a única mulher em determinadas posições discutindo de igual com meus colegas. Me enchia de orgulho saber que eu era exemplo para muitas outras meninas espalhadas pelo Brasil.

A minha vida pessoal também avançou durante esses anos. Me tornei atleta maratonista e corri várias provas pelo mundo afora. Conheci muita gente boa. Me separei, me casei, me separei novamente e conheci o grande amor da minha vida.

Em 2013 veio a grande mudança. Recebi o convite da empresa para seguir uma carreira internacional. Estávamos preparando nosso casamento, e nós dois (eu e meu noivo) aceitamos esse desafio de mãos dadas. Compartilhamos com a empresa o nosso sonho: em dois anos, teríamos um filho. Mais uma vez me senti privilegiada por ser a única mulher executiva na área comercial, estrangeira e construindo sua família fora do seu país.

Até então, minha carreira consistia em um projeto que iniciava praticamente do zero e crescia, amadurecia equipes e abria novos mercados. Lá fora a experiência foi totalmente diferente: liderava uma equipe madura, em um mercado maduro, com os desafios de manter a empresa na liderança nacional adquirida há décadas, com uma rede de distribuição consolidada e obediente. Logo percebi que manter-se na liderança era muito mais desafiador que começar do zero. Era necessário inovar, com urgência, mas fazê-lo em um modelo tradicional e conservador foi meu grande desafio. Junto com este desafio apaixonante, nasceram meus tesouros Caio e Vitor.

Os resultados entregues em mercados tão diferentes (Brasil e Espanha) me credenciaram para assumir a posição de comando comercial da empresa em Portugal. Um país fantástico, lindo e acolhedor. Um negócio de 33 anos no país com a 15ª posição do mercado, que me proporcionou desafios, histórias, expectativas, experiências, vivências e, sobretudo, aprendizado.

Paralelo a isso, os filhos crescendo, a saudade da família pesando, a vontade de voltar aumentando e uma certeza: se for pra voltar, que seja para o Sul. Se for pra mudar, que seja no Brasil.

Quero que mais pessoas, assim como eu, se sintam empoderadas a fazerem suas escolhas de vida porque, em algum momento, se planejaram e se prepararam. Quero seguir minha missão com o propósito de ajudar as pessoas a terem vidas verdadeiramente tranquilas.

Não foi uma escolha fácil: muita vontade, porém, com muita razão e consciência, todos os prós e contras são postos no papel e são analisados cuidadosamente, pensando na carreira e na família.

Abriu-se um clarão quando fiz o exercício da linha do tempo. Coloquei lado a lado dois possíveis cenários da minha vida aos 50 anos, enquanto mãe, esposa, filha, pessoa e profissional: seguindo a carreira executiva ou empreendendo no que acho que pode fazer uma grande diferença positiva na vida das pessoas. Não tive dúvidas: era a hora de tomar a decisão.

Profissionalmente, várias oportunidades de caminhos mais curtos foram apresentadas para mim quando cheguei no Brasil. Apesar de ter escolhido o caminho mais longo, sei que é uma decisão mais sustentável em longo prazo. Ser pioneiro tem o ônus e o bônus.

É estranho estar no próprio país e continuar sendo um desconhecido, mas sabíamos que seria assim. Ainda mais quando é a primeira vez que moramos nessa cidade (Florianópolis).

Também estranhamos quando, depois de tantos anos, o nosso cartão de apresentação profissional sejamos nós mesmos. Com isso, surge uma responsabilidade tremenda e uma coragem assustadora. Coragem para assumir a responsabilidade de construir minha própria marca, baseada em trabalho sério, ético, profissional, experiente e especializado. Coragem para assumir a responsabilidade de que a minha família será provida dos frutos deste trabalho.

Matéria que será publicada nos meios de comunicação em 2040:

“Caio Durante Fortaleza Vasconcellos e Vitor Durante Fortaleza Vasconcellos assumem o comando da KAVIDA Assessoria de Capitais, empresa com matriz em Florianópolis, que foi pioneira em assessorar pessoas para Segurança Financeira. Após 22 anos de existência, é líder do segmento no Sul do Brasil e possui inúmeros reconhecimentos no mercado pela confiança e credibilidade de seus profissionais. A partir de hoje, a empresa está sob novo comando”.

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Eliane Durante

Eliane Durante

CEO da KAVIDA Planejamento e Segurança Financeira, administradora de empresas, pós graduada em gestão empresarial, casada, maratonista e mãe de gêmeos.

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